1ª São Silvestre Joseense

 

Geral: 200ª corrida 2011: 40ª corrida

Data: 31/12/2011 – 9h17min (sábado)

Local: Clube de Campo Luso Brasileiro – São José dos Campos/SP

Distância: 15 km anunciados, distância real 14 km (8ª) misto

Tempo: 1:20:12 (1:20:14 tempo oficial)

Velocidade Média: 10,47 km/h (2,91 m/s)  Passo: 5:44down(-9,66%)

Pontos (Tabela Húngara): 121

Temperatura: nublado, 23ºC nublado

Valor da Inscrição: R$ 30,00

Número de peito: 170

Tênis: Mizuno Wave Creation 12 cinza/lima (10)

 

Colocações:

Geral: 55º (de 68)  80,88%

 

Resultado na Web:

http://www.esportevale.com.br/materia2011/fotos/saosilvestrejoseense/tempo.htm

 

Medalha: ok

medalhasssjc

 

Camiseta: ok

 

Foto:

 

Álbum de Fotos (Facebook)

Vídeo:

 

Relato:

Wordle: 1ª São Silvestre Joseense

Demorou. Mas enfim chegou um dia para esquecer relógio, tempo, distância, pace, performance e palavras correlatas e focar em uma única coisa: celebrar. Poderia ser apenas o fato de chegar, vivo, gozando de boa saúde, com bem vividos 40 anos e quase todo mundo achando que ainda tenho trinta e poucos (ah, se não fossem os primeiros fiozinhos brancos começando a tingir as têmporas!), a uma marca numérica importante, a ducentésima (palavrinha bonita, hein?) corrida. Mas há muito mais a comemorar. Estar, como de costume, entre grandes amigos. Testemunhar, quem sabe, o nascimento de uma nova tradição. Fechar mais um ano fazendo aquilo que se gosta, não dependendo de uma (mais ou menos) longa e logisticamente complexa viagem para isso. Exercer o livre arbítrio, a possibilidade da escolha entre ir ou ficar. Poder encerrar uma boa temporada esportiva, dando-se o direito a umas pequenas e merecidas férias, inclusive dos treinos. E essa lista poderia ir bem longe ainda... Muitos são os motivos para erguer os braços para o céu e agradecer. E estendê-los a quem também merece muitos dos meus agradecimentos.

 

Por “n” motivos, que não me cabe elencar (ou querer polemizar) aqui, em nenhum momento me passou pela cabeça a ideia de fazer pela terceira vez (ou quarta, se considerarmos o treino noturno de 2008 no antigo trajeto) a mais célebre das corridas que leva o nome do santo do derradeiro dia do ano. Daí a alegria quando soube que teria a oportunidade de chegar à prova #200, homônima, praticamente no quintal de casa. Embora num percurso até então inédito, baseado em um lugar que eu só conhecia de umas poucas festas de outrora e de um ou outro treino pelos arredores. Não poderia ser uma corridinha qualquer. Era providencial que fosse um evento festivo por si só.

 

Afora o detalhe do tempo frio, tendendo a chuvoso, que deixou minha família em casa (aproveitando a “folga” para os preparativos da ceia de réveillon e da viagem de férias do dia seguinte), seria mesmo tudo perfeito. Desde o momento em que adentrei as dependências do clube, sendo recebido pelos primeiros amigos ainda mais fominhas e madrugadores que eu, até a chegada de cada um dos demais, fui tratado com grande carinho e deferência, ainda mais que o de costume. Logo eu, um corredor de sexta categoria, sendo reverenciado por gente tão mais talentosa no esporte... Fica no ar a grande dúvida: o que faço para merecer tamanha consideração dos companheiros? Não conseguiria jamais buscar alguma explicação racional, logo, só me resta agradecer, de coração, a todos e a cada um por ela.

 

O cenário da festa, que começara na véspera, com uma talvez desnecessária pela pequena quantidade de participantes, mas bastante ordeira retirada antecipada dos kits na academia do shopping, era muito bonito. Alguns amigos que não haviam conseguido confirmar a participação até então, tiveram a oportunidade de fazê-lo, ali mesmo na hora. Bacana ver o esforço e o esmero dos organizadores dando bons resultados, reunindo quem optara, como eu, por não ir a SP participar da corrida maior e mais famosa (ou mesmo fazendo um warm-up para ela, como era o caso do infatigável amigo Eder Dias). E até mesmo gente que estava aprontando as malas para correr no final da tarde, mas passou ali só para dar uma curiada e saudar os amigos nos finalmentes da temporada 2011.

 

Depois do alongamento coletivo (que troquei por um trotinho de aquecimento) e das últimas palavras da organização, dirimindo eventuais dúvidas, enfim largamos, sob comando do conceituado locutor Marco Maquininha e o estouro dos rojões. Tinha ao meu lado velhos companheiros, como o grande Diretor Edward, parceirão de tantas corridas, inscrito na prova dos 5 km; mas também novos camaradas, como o Aldo e o Rodrigo Almeida, ainda novatos no time dos malucos do asfalto e estreantes na distância dos 15 km, mas que já mostraram que vieram para ficar e fazer diferença no grupo. A foto do quarteto, uniformizado com a nova farda de combate modelo 2012, tirada pelo ainda em recuperação, mas sempre presente em todos os momentos, grande amigo Wagner, ficou bem bacana. O trechinho até o grampo, ainda dentro do clube, teve pouco mais de 140 metros. No retorno dele, antes de deixar o portão e ganhar o asfalto da estrada da Vargem Grande sentido Caçapava, aproveitei a presença de um espectador de luxo para fazer um agradecimento mais que especial. Obrigado por tudo, meu Capitão Zebra! Você é importantíssimo para todos nós e sabe bem disso...

 

Não estava ali para competir, mas nem tampouco para passear. Ao dobrar à esquerda e pegar a pista do caminho de ida, saudando e sendo saudado pelos companheiros que ultrapassava ou era ultrapassado por, além de formalizar a parceria com o Aldo, que iria durar dois terços do itinerário, procurei, como de hábito, encontrar um ritmo que permitisse o melhor possível para o dia. Sem qualquer compromisso com resultados, mas também sem subutilizar os meus (poucos) recursos como pedestrianista. O tempo feio impedira a presença do staff familiar, mas viera para ajudar. Fez com que o atraso de quase vinte minutos para o início da prova nem pesasse tanto assim. Mas frio também não estava. Em pleno final de dezembro, começo de um verãozão brabo que vem com tudo por aí, o planeta mais próximo do sol não é Mercúrio, é São José dos Campos...

 

Conforme anunciado pela organização antes da largada, as placas de quilometragem estavam mesmo todas lá. Não muito grandes, mas bem visíveis, ainda mais em um grupo pouco coeso como aquele, distribuído ao longo da estrada estreitinha toda vida. Só faltaria mesmo precisão na colocação das mesmas pelo caminho. A primeira passou já devendo mais de uma centena de metros (o relógio apitaria bem à frente, com 4’59’’). Diferença que só faria aumentar nas demais, uma por uma. O controle de tráfego, mesmo solicitado, não fora cedido pelo órgão competente municipal, alegando recesso de final de ano dos agentes. Mas não haveria maiores problemas quanto a isso. Durante todo o trajeto, se apareceram uns três ou quatro veículos, todos conduzidos por gente mais para zen que para estressada, foi muito. Local e dia ajudaram bastante, imagino.

 

Outra coisa que chegou a ser dita, mas que não se confirmou na prática, foi em relação à topografia do terreno. Se aquilo é plano, eu juro que não sei o que é inclinado. A exemplo do trecho oposto, vindo do centro comunitário do bairro Alto da Ponte até o clube, que eu já havia percorrido a pé em treino, a outra ponta também era rica em costeletas, aquelas subidas e descidas de tamanho reduzido, mas número interminável. Que vão minando as forças do combatente aos pouquinhos, com requintes de crueldade. Logo no segundo quilômetro, deu para ver que hoje não tinha jogo bom. Ainda conseguiria um bom desempenho, praticamente repetindo o pace anterior, dessa vez com 5’ cravados. Mas já com algum notório esforço. O negócio era mesmo relaxar e curtir a viagem.

 

Uma boa distribuição dos postos de hidratação no percurso, mesmo num dia de condições climáticas mais amenas como aquele, seria bastante importante para o êxito do evento. E o planejamento seria bem executado na prática. O primeiro estava posicionado bem no ponto de retorno dos que participavam dos 5 km. Aldo e eu mandávamos um “salve” para os amigos que já pegavam o caminho de volta, com a concentração e sangue no zóio que as provas curtas demandam. Os demais pontos de água, exclusivos para a distância maior, estavam em intervalos iguais, de 2,5 km cada. Não deixaria passar um. Nem deveria.

 

As parciais seguintes já seriam, mais que para demonstrar a velha equinice paraguaia deste que vos escreve, de necessária modéstia, oscilando entre 5’14’’ e 5’29’’. Pressentia que poderia estar servindo de “âncora” para o companheiro e já sugerira até que ele abrisse a passada. Ao que ele respondeu que pretendia checar as condições e tentar uma arrancada a partir do décimo quilômetro. Seguíamos em ritmo confortável, daqueles suficientes para frases polissilábicas. Chegamos aos alvos muros do último condomínio antes do fim do trecho asfaltado. E demos um adeusinho provisório ao perímetro urbanizado, ganhando o piso não muito acidentado e com vestígios de cascalho, mas logicamente bem mais irregular que o percorrido até ali. Tome poeira nariz e goela adentro... Ainda bem que a chuva não tinha vindo. Lama seria ainda pior.

 

Mas o cenário, bucólico, era bonito demais, daqueles que a gente não vê todo dia. Ao longe e à direita, os bairros da zona leste da cidade, quase na divisa com a vizinha cidade simpatia, que esse ano só nos recebeu uma vez, para a Duque de Caxias (tomara que a corrida do aniversário volte em 2012!). Do outro lado, muito verde, a caminho dos imponentes maciços da Mantiqueira. O ponto de retorno não tardou a vir. A distância entre o sétimo apito e ele deu a entender que ficaríamos mesmo bem longe da distância prometida dos 15 km. Eu e o Aldo ficávamos fazendo uma espécie de bolão para ver quem chegava mais perto do número exato. Ocupado com as tarefas de pegar água (só deixei passar a uva passa, aliás, é a primeira vez que vejo esse artigo em uma corrida, e caiu bem!) e a pulseira que fazia as vezes do chip de cronometragem (a apuração manual seria um ponto negativo, mas sem comprometer a agilidade na premiação), acabei não me lembrando de estimar na metade o tempo de conclusão. Nem adiantaria. O caminho de volta seria bem mais árduo e demorado.

 

Pela fração seguinte, até o próximo checkpoint e posto de apoio dos 10 km, depois da volta ao asfalto, ainda manteria a companhia, mas a batida era cada vez mais suave. Não dava para negar: chegava à última corrida do ano em frangalhos, tanto física quanto mentalmente falando. Um cansaço acumulado durante o ano, que teve mais bons do que maus momentos, mas, sobretudo, que exigiu bastante do tiozinho aqui e de sua rodadíssima carcaça. Desejei bom final de prova ao Aldo e reduzi bastante o meu ritmo, passando a transitar, sistematicamente, na confortável casa dos 6 x 1, quase como se em uma maratona estivesse. O suficiente, inclusive, para ganhar o troco de algumas ultrapassagens que fizera no começo da prova. Sem qualquer problema. O dia era mesmo só de festa. Preferia conseguir rodar forte do começo ao fim e só ganhando posições na lista, é claro; mas, num percurso doído como aquele, não poderia mesmo exigir muito, ainda mais naquele clima de total fim de feira.

 

Mas o trecho desacompanhado não seria muito grande. Lá pelas tantas, já em contagem regressiva de metros para chegar, receberia o apoio de um novo companheiro de equipe 100 Juízo (pior que esqueci o nome dele, peço desculpas!), também estreando uniforme novo. E, um pouco mais adiante, a escolta do amigo e comandante do time dos malucos do asfalto, sempre solidário, estando ou não na pista. Zebra foi comigo pelos metros finais, incentivando a não deixar o ritmo cair ainda mais (cheguei até a ensaiar uma caminhada, que transformaria a parcial do décimo terceiro quilômetro em um impublicável número começando com sete), garantindo um final de corrida mais digno e deixando a foto e o vídeo da reta semifinal, antes da volta ao interior do clube, bem mais apresentáveis.

 

Tive direito até a uma narração especial do amigo Maquininha, saudando a minha 200ª chegada (bem, tecnicamente não: incluo na minha contagem, tal qual um baixinho Romário ou um Túlio Maravilha das corridas de rua, quatro provas que não cheguei a completar, mas nas quais corri distâncias consideráveis, como 22, 28 ou até 30 km); que trouxe um momento de forte emoção, mas, mais do que isso, uma sensação agradável, a da missão cumprida, do objetivo da temporada atingido. Além das 200 provas, 40 em 2011 (pela primeira vez diminuindo, se bem que só em uma unidade, a quantidade de uma temporada para outra), ultrapassei também a marca dos 2300 km rodados no ano. Menos que os 2500 km de 2009, mas mais que os 2266 km de 2010. Uma bela marca, independente do referencial. De alguém que corre pouco, mas corre bastante...

 

Seriam muitas ainda as alegrias dali em diante. Receber a medalha colocada por uma integrante do staff e, logo em seguida, a grata surpresa do serviço gratuito de gravação do tempo de conclusão da prova no verso. Não ganhar um kit, mas ter livre acesso a uma bonita e muito farta mesa de frutas & afins, com as tradicionais maçã, banana e melancia, a já mencionada uva passa (tradicional e branca!), mais água à vontade e um também inédito oferecimento de suplemento protéico de BCAA, indicado para auxiliar na recuperação muscular pós-atividade física. Faria, como na véspera, questão de cumprimentar os organizadores e parabenizá-los pelo trabalho competente e iniciativas mais que louváveis.

 

Mas nenhuma alegria seria maior que a de receber a bela homenagem dos companheiros de equipe ali presentes. Reunidos em torno da mesa que costuma fazer parte da nossa tenda, vi alguns dos grandes amigos (outros importantes não puderam marcar presença, mas sei que também estavam ali comigo!) que a corrida me trouxe e, em um acanhado “discurso”, apenas agradeci e desejei que, daqui a mais duzentas corridas, todos estivessem novamente comigo, celebrando não números, que por si só, pouco significam. Mas a alegria incomparável de estamos juntos, bem, com a saúde em dia e praticando o esporte que nos aproxima. Não pode haver presente maior, para a corrida #300, #400, #500, #1000 ou qualquer marca que eu venha a alcançar.

 

A todos os amigos e amigas, os que estiveram comigo nessa prova festiva e especial, em qualquer uma das anteriores ou que ainda vão estar nas próximas, o meu fraterno abraço e os votos de um 2012 de muita paz, harmonia, prosperidade, saúde e momentos de intensa felicidade. Alguns, inclusive, proporcionados por esse nosso magnífico esporte, a corrida. FELIZ ANO NOVO!

 

Percurso:

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Altimetria:

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Gostei: ok

de ser testemunha ocular do começo de uma nova história, do local do evento, do percurso, da distribuição de água, da uva passa, do BCAA, da gravação do tempo na medalha, da festa que os amigos fizeram pela minha 200ª corrida

 

Não gostei: nok

do atraso na largada, da distância devendo um quilômetro, da marcação de quilometragem fora do lugar

 

 

Avaliação: (1-péssimo 2-ruim 3-regular 4-bom 5-excelente)
- Inscrição: 4 (feita por e-mail, sem opção de site)
- Retirada do kit pré-prova: 4 (pela quantidade de gente, não precisava ser antecipada; acabou tendo opção no dia também)
- Acesso: 5 (local meio afastado, mas acesso tranquilo e com estacionamento liberado)
- Largada: 3,5 (atraso considerável, dispersão tranquila)
- Hidratação: 5 (postos bem distribuídos e suficientes, água gelada na maioria das vezes)
- Percurso: 5 (diferente do trivial, muito bonito e desafiador; só não era plano como anunciado)
- Sinalização: 3 (teve, mas não estava nada bem posicionada)
- Segurança/Isolamento do percurso: 4,5 (não houve apoio oficial, infelizmente, mas os motoristas, o dia e o local ajudaram)
- Participação do público: 4 (pequeno número concentrado na arena; no trajeto, simplesmente não dava para exigir)
- Chegada/Dispersão: 5 (tranquila)
- Entrega do kit pós-prova: 4 (tranquilo, mas self service ao invés de kit individual; sorte que não houve ataques)
- Qualidade do kit pós-prova: 5 (de um kit que tem uva passa, água de coco e BCAA, não se pode falar mal)
- Camiseta: 4,5 (gostei da cor e do tecido)
- Medalha: 5 (formato padrão, parecido com várias outras medalhas; mas tempo gravado no verso foi uma grande sacada)
- Divulgação dos resultados: 4,5 (mesmo com apuração manual, a organização enviou por e-mail os resultados)

Média: 4,4

Veja também:
O relato do Wilson Arantes


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