5ª Meia Maratona A Tribuna – Praia Grande

http://www.atdigital.com.br/triesportes/meiamaratona

 

Geral: 74ª Corrida 2008: 20ª Corrida

Data: 31/08/2008 – 09h03min (domingo)

Local: Prefeitura – Av. Presidente Kennedy – Praia Grande/SP

Distância: 21,098 km (7ª)

Tempo: 1:57:17 (líquido) e 1:59:17 (bruto)

Velocidade Média: 10,79 km/h (3 m/s)  Passo: 5:34 (0,94%)

Pontos (Tabela Húngara): 151

Temperatura: garoa no início, depois nublado e dia claro, 17 a 28ºC

Valor da Inscrição: R$ 39,00

Número de peito: 1099

Tênis: Mizuno Wave ProRunner 10 branco (9)

 

Colocações:

Geral: 1170º (de 1759)  66,52%

Masculino: 1031º (de 1445)  71,35%

Categoria 35-39 anos: 155º (de 199)  77,89%

 

Resultado na Web:

http://www.chiptiming.com.br/v3/resultado/523/GERAL%20MASCULINO%20MEIA%20MARATONA%20PRAIA%20GRANDE.htm

 

Medalha:

Camiseta: regata, poliamida (Amphibia)

 

Foto:

 

Álbum de Fotos

 

Vídeo:

Relato:

Cachorro picado de cobra tem medo até de linguiça. Os problemas que tive nas corridas recentes (fisgada na panturrilha na Oscar Fashion Running, subidas, falta d’água e atraso monstro na largada na Santa Rosa de Lima) e os resultados aquém do esperado em ambas, não posso negar, me deixaram meio sem confiança para esta segunda meia maratona do ano, sétima da carreira. Desde antes, durante a semana, decidi que ia, a contragosto, partir para uma estratégia bem conservadora, apenas com o intuito de terminar a prova abaixo de duas horas.

 

O grande barato dessa corrida não era nem o evento em si. Era a possibilidade de reunir tantos amigos para participar dela (ou acompanhar quem ia). Na nossa comitiva saindo na manhã de sábado do Vale, eu, Janete, Dudu, Fabio Matheus, Giovana, Jorge, Samira e Bruno. Quem nos recebeu, de forma generosa, atenciosa e gentil foi o nosso grande amigo Guilherme, que abriu mão de correr a Nike + Human Race, com inscrição feita e tudo, para nos acompanhar na aventura e estrear nos 21 km. Nos proporcionou não só a oportunidade de participar da corrida, mas um final de semana dos mais agradáveis, de convívio próximo com amigos. Nem todo mundo que combinou pôde ir, mas foi muito bacana reunir o pessoal para comer uma boa pizza e bater um ótimo papo na noite de sábado na Muralha's.

 

Nessa véspera da corrida, bateu a dúvida. As coisas pareciam conspirar a meu favor e contra a minha tese. O tempo fechado o dia todo, chuvoso até a noite, combinado com o percurso totalmente plano, parecia que ia deixar as condições perfeitas para uma boa performance. Talvez fosse uma oportunidade rara de tentar bater, ou pelo menos igualar, uma marca pessoal que já dura quase dois anos. O dia amanheceu com retalhos de céu azul, mas não demorou a ficar nublado de novo. Só que, no meio da madrugada, alguém ligou por engano (ou de sacanagem mesmo, sei lá) no celular da Janete e acabou com a minha noite de sono. Acordei no bagaço. Estava dado então o veredito: eu ia mesmo correr de freio de mão puxado, a tentativa do R.M.P., infelizmente, que ficasse para a próxima vez.

 

Chegamos cedo ao local da prova, mas já estava meio complicado para estacionar. Seguindo dicas do Mário, primo do Guilherme e também corredor (dos bons!), driblamos os flanelinhas e fomos parar ao lado do prédio da prefeitura. A entrega do kit pré-prova foi confusa como poucas vezes vi. As filas eram desiguais, com intervalos de numeração de 200 em 200: umas, como a minha, lotadas; outras, sem ninguém. Ao invés de entregar o kit já montado, o staff estava querendo fazer linha de produção, pegar um item de cada pilha (chip, número de peito, camiseta, manual e folhetos) e colocar tudo na sacola apenas na hora de entregar. Pra dar confusão não custou. E, pior, comigo: a moça me deu uma sacola sem número nem chip. Foi até solícita, se dispôs primeiro a procurar e depois a fazer uma segunda cópia pra que eu não ficasse de fora da corrida. Mas a colega de trabalho dela, quanta falta de tato: sem se dirigir diretamente a mim, resmungou lá que eu tinha que ter visto isso na hora!!! Sendo que o meu retorno ali não demorou um minuto após a entrega. Localizados os meus cacarecos, que estavam debaixo de uma pilha de papéis, agradeci (a quem fez o seu papel direito), cumprimentei, disse que não ia ser por isso que a gente ia brigar e desejei um bom trabalho.

 

No que encontramos o Jerdal, eu e o xará já o chamamos pra fazer o trote de aquecimento conosco, porque com esse incidente do kit, faltava pouco para a largada. Dez minutos depois, já alinhados, quem apareceu foi o Marildo. Com pouquíssimos minutos de atraso, começamos a correr na mais larga das duas únicas avenidas de todo o percurso. Retão sem fim. A garoa caía. A dispersão, que parecia que ia ser difícil, acabou sendo rápida, assim que passamos pelo pórtico com pouco mais de um minuto de gap, já deu pra começar a correr. Comentei com o xará, como já havia feito no treino de 19 km que o fizera decidir, três semanas antes, a tentar fazer a prova, o quanto era mais agradável correr nesse ritmo mais cadenciado, totalmente diferente da sangria desatada dos 10 km or less.

 

O Guilherme, que havia sumido na fila do kit, reapareceu logo no começo da prova, alcançado por nós. Lá de trás surgiu o Hideaki, com camiseta de Marathon Maniac e tudo. Fizemos o bloquinho e fomos conversando nesse início de prova, o ritmo mais lento permitia e até ajudava nisso. A boa surpresa foi a forma de colocação das placas de quilometragem: não só suspensas, como tinha acontecido em Pinda, por exemplo, mas também no meio da pista, visíveis de longa distância. A primeira passou com altos 5:46, a segunda, com mais altos (e estranhos) ainda 5:54. A terceira, onde já veio o primeiro posto de água, explicou tudo: 5:24. Apesar de altas e visíveis, elas não estavam lá muito corretamente posicionadas.

 

O xará reparou e era verdade: mesmo sem estarmos forçando, chamava atenção o fato de a gente apenas ultrapassar, e a rodo, e praticamente não ser ultrapassado por ninguém. Muita gente começou forte demais e arregou, tinha gente andando já desde o km 4. O primeiro a deixar o nosso pelotão foi o Hideaki (que depois descobrimos ter tido problemas que o fizeram decidir, sensatamente, por abandonar a prova), quando acelerei um pouco para alcançar o Guilherme que já parecia querer puxar um ritmo um pouco mais forte. Começaríamos a rodar na casa dos 5’30’’ direto dali pra frente. As projeções, desde o começo, indicavam um tempo de conclusão na casa de 1h58min. Longe do meu melhor tempo (1h50min) nos 21 km, pretensão modesta para um percurso tranquilo e um dia nublado, mas até satisfatório diante das inconvenientes circunstâncias de cansaço acumulado e pouco treino nas últimas semanas. O tempo começou a mudar aos poucos, foram surgindo espectadores, primeiro nas janelas das casas, sacadas dos prédios e marquises dos comércios, depois na rua mesmo. O sol ameaçou surgir atrás dos corredores e voltou a se esconder de novo detrás das nuvens.

 

Chegamos ao sexto quilômetro, segundo posto de hidratação e primeiro gel, na casa de 33 minutos alto. Os diálogos longos do começo já se restringiam a um perguntando para o outro se estava tudo bem ou a outra frase curta qualquer. A água estava tão perto da placa que faltava coordenação motora para pegar o copo, abrir, beber e apertar o lap no lugar certo tudo quase ao mesmo tempo. A faixa dizendo que faltavam 100 metros para o posto ficou só no primeiro mesmo, assim como a água gelada. A toada seguia monótona, no ritmo e no percurso, plano e reto o tempo todo. A primeira virada à esquerda custou a chegar, logo depois da esquina o tapete de leitura e a placa do km 10 (outra parcial errada, de 5:07 nela, já que a anterior tinha sido de 5:52). Os 55’, quase 56’ ali, ainda davam aquela mesma projeção inicial de pouca coisa abaixo de 2h. Só não parecia mais tão fácil manter esse pace quanto estava sendo até então. A avenida da praia (Castelo Branco) era bem mais estreita que a Kennedy e, nela, o sol já tinha aparecido de vez.

 

Correr à beira-mar é um privilégio que eu quase não tenho. Em treinos, quando é possível fazê-los em um cenário desses, simplesmente adoro, é um estímulo e tanto. Em provas, já não costuma ser tão interessante. É um veneno anticoncentração. Lembro que pouco olhei para o mar da Praia Grande durante a longa reta da volta. Se me distraísse, o risco era ensopar tênis e meias nas inúmeras pocinhas d’água do percurso. No km 12, quarto posto de hidratação, abri o segundo e último gel, ensopei rosto, cabeça e costas para quebrar o calor que já tinha chegado a um nível de desconforto. E o Guilherme, que vinha em ritmo praticamente constante e sem tomar conhecimento de nada, abriu e foi embora. E não fomos eu e o xará que diminuímos, já que o pace do km seguinte também foi na casa dos 5:30. Manter isso ficava cada vez mais complicado a cada nova placa. As dores começavam a aparecer, mais incômodas do que agudas, mas presentes. Era um tal de panturrilha ameaçando, lateral de quadril (essa é crônica !) chiando e joelho resmungando que só. Antes do km 15, eu já tinha falado pro xará ir embora se quisesse, que eu estava querendo dar uma relaxada na batida. No 15, depois de ser convidado por um brahmeiro a mudar de atividade esportiva, ele se mandou. Tentei acelerar, cheguei até a alcançá-lo de volta, mas aí faltou gás pra manter o passo depois desse mini-sprint. Se eu continuasse forçando, fatalmente ia quebrar e terminar andando. Optei por segurar a minha onda. Senti o ritmo caindo, mas a cada lap, o relógio continuava marcando religiosamente os cinco minutos e meio no quilômetro. O único realmente mais alto foi km 18, com 5:50. Faltava tão pouco...

 

A estratégia de poupança deu resultado. O incômodo foi passageiro, no km 19 já voltei a rodar em passo bem semelhante ao do resto da prova. Aí voltou a animar um pouco. Era tarde pra tentar voltar a acompanhar os amigos, que tinham sumido na frente. Mas ainda dava pra pensar naquele primeiro tempo planejado, pelo menos. Viramos de novo à esquerda, caminho de volta para o local da largada. Na placa do km 20 eu enfiei o pé e parti para tentar fazer o melhor fim de prova possível. Acabaria sendo um respeitável 5:02 o pace nesse trecho, o melhor de toda a corrida. Última virada à direita e o retão final. O Jerdal e a Andréa, ele já tendo terminado a prova (com o sensacional tempo de 1h34min, ainda mais em se tratando de uma primeira meia maratona) filmaram os momentos antes da minha chegada. Os 98 metros, pra fechar, eram longos à beça. Tinha que estar bem devagar pra fazê-los nos 50 segundos que o cronômetro marcou. O tempo de 1h57min17seg, se não era para comemorar com entusiasmo, também não seria de se lamentar. Até porque era o meu segundo melhor em prova de 21 km (a parcial dos 21 nos 25 km da Corpore tinha sido até um pouco menor, mas aí é extra-oficial).

 

O Guilherme, que esteve bem perto de fazer uma estreia simplesmente espetacular na distância, sentiu um pouco a partir do km 15 e acabou fechando a prova na casa de 1h56min. Está de parabéns, não só pelo tempo mais do que digno para uma primeira vez, mas sobretudo por ter vencido a ansiedade que o fizera, durante a semana, falar até em desistir. O xará Matheus, que correu feito gente grande (que é, literalmente), concluiu em 1h55min. Fico muito feliz com a estreia de ambos e gratificado à beça por saber que, de alguma forma, incentivei os dois a toparem essa parada. Feliz também estou pelo Jorge, que correu bem os 10 km, melhorando seu tempo na distância e, melhor do que isso, segue cada vez mais entusiasmado rumo à Meia do Rio em outubro.

 

A medalha entregue ao final da prova foi bonita, diferenciada de forma original (uma semana depois de Beijing 2008, ouro para os 21 km, prata para os 10 km e bronze para a caminhada de 5 km) e com data do evento; mas o kitzinho, bem assim, assim, viu: uma maçã e uma banana (lanchinho completo, parece que só pra quem já tinha corrido as outras quatro edições anteriores). Acho que comi com casca e tudo... Com fome e bem quebrado. Deu o que fazer pra chegar rastejando até onde estavam a Janete, o Dudu e a Giovana. Fazer alguém que acabou de correr 21 km pular grade é sacanagem, bem que os acessos (controle anti-pipoca) poderiam estar mais facilitados, principalmente depois que a corrida já tinha acabado mesmo. Essa prova, para mim, foi de extremos: ao mesmo tempo que beirou a excelência (em itens como a sinalização suspensa, a estrutura de distribuição de água, a largada pontual, o isolamento impecável de duas avenidas principais da cidade e até no guarda-volumes que antecipava a entrega ao ver o corredor se aproximar!), resvalou no mambembe em outros como a entrega do kit pré-prova (não foi só comigo, estressou muita gente e, sinceramente, não deu pra entender essa da entrega antecipada só até sexta e só em Santos que, lembrem-se, não era a cidade da prova); essa confusão para conseguir sair do labirinto depois da prova; esse kit pós que eu já vi melhor em muita prova gratuita por aí; e a divulgação de resultados pra vender jornal de segunda-feira (até consegui acessar depois no site d'A Tribuna, mas além de ser uma "classificação alfabética" meio esdrúxula, ainda "conseguiram" jogar o tempo bruto do xará pra 2h12min).

 

Como disse aos amigos após a prova, não dá mais pra eu achar que vou continuar indo bem em corridas com base no que fiz até a Maratona do Rio. Foi bom, foi lindo, foi útil, mas passou... Se eu quiser voltar a fazer boas provas, tenho que voltar a pegar no pesado. Não vai ser agora, que é hora de descansar, curtir um pouco, afinal, cheguei a pensar em terminar bem acima disso que fiz; e refletir sobre erros e acertos. Mas para a Frei Galvão, em outubro ou novembro, quem sabe finalmente esse recorde já antigo (e incômodo) não cai... O certo é: não vou abrir mão do meu direito de tentar.

 

Percurso:

 

Gostei:

do final de semana ao lado dos amigos, do percurso plano e rápido, das placas de quilometragem suspensas, da quantidade e localização dos postos de água, da medalha bonita e diferenciada

 

Não gostei:

de sumirem com meu número de peito e chip, do stress de alguns membros do staff (em contraste com o bom astral de outros tantos), do kit pós-prova, da dificuldade em deixar a arena do evento ao final da prova, do resultado sair no jornal a que eu não teria acesso nem se quisesse

 

Comentários no Fórum Runner Brasil:

http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?forum=88968&grupo=217825&topico=2994082&nrpag=1

Avaliação: (1-péssimo 2-ruim 3-regular 4-bom 5-excelente)
- Inscrição: 5 (internet, cartão)
- Retirada do kit pré-prova: 2 (confusa, mal organizada)
- Acesso: 3 (complicado, cheio de flanelinhas)
- Largada: 5 (praticamente pontual e com dispersão surpreendentemente rápida)
- Hidratação: 4,5 (postos suficientes e bem distribuídos, faltou água gelada)
- Percurso: 5 (não é todo dia que aparece um desses sem uma subidinha sequer)
- Sinalização: 4,5 (placas suspensas e, até o km 7, no meio da pista; placas mistas nos trechos em que as provas de 21, 10 e 5 coincidiam; erros de posicionamento)
- Segurança/Isolamento do percurso: 5 (perfeita, mesmo fechando parte das duas principais avenidas da cidade)
- Participação do público: 5 (gente acompanhando em praticamente todo o percurso)
- Chegada/Dispersão: 3,5 (na chegada em si tudo bem, complicação para deixar a arena)
- Entrega do kit pós-prova: 5 (sem problemas)
- Qualidade do kit pós-prova: 2,5 (fraco, ainda mais em se tratando de uma meia maratona e com inscrição paga)
- Camiseta: 4 (simples, tecido razoável)
- Medalha: 5 (bonita, diferenciada por prova e com data do evento)
- Divulgação dos resultados: 2 (todo mundo quer vender o seu peixe, mas essa é uma forma provinciana de fazer isso; depois até publicaram um resultado convencional na internet)

Média: 4,07

Viagem:
177 km, 5 pedágios (ida: Dutra/Jacareí, Dutra/Parateí, Imigrantes; volta: Ayrton Senna/Itaquá, Dutra/Jacareí)
BR-116 (Dutra) até São Paulo
SP-160 (Imigrantes)
São José dos Campos/Praia Grande

Veja também:
O relato do Guilherme
O relato do Jerdal
O relato do Marildo
O relato do Nadais

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