Os Simuladores
Data: 26/08/2009 (quarta)
Horário: 18h28min (eu), 19h02min
(geral)
Distância: 12,34 km (total,
com aquecimento + 2 voltas)
Tempo: 1h08min13seg
E quando parecia que a tradição dos grandes treinos coletivos tinha perdido força,
eis que surge, durante a Corrida do Aniversário de Eugênio de Melo no domingo
anterior, a ideia de fazer um test-drive
no trajeto da próxima prova (Oscar Fashion Running), marcada para o dia 30/08,
domingo seguinte. Não estando presente no evento
distrital, não fiz parte da conspiração,
mas aceitei com muito gosto o e-convite
que recebi do Michel. Tive que fazer umas boas manobras com a minha agenda, já que a data prevista estava a
princípio reservada para a minha sessão semanal de musculação. Mas, entre mortos e feridos, se salvariam
todos. Tudo se ajeita.
Na segunda-feira, chegou a e-notícia da mudança no percurso.
Visando evitar transtornos com o trânsito em uma das principais avenidas da
cidade, a Andrômeda. E atentos às reclamações dos participantes sobre o complexo
ziguezague nas ruas do Satélite que ocorreu no ano anterior, os organizadores
optaram por montar um novo trajeto concentrado basicamente na Avenida Cidade
Jardim. Ainda a tempo, enviei o mapa abaixo para os amigos da mailing list, o que deu ainda mais
destaque ao treino combinado. Ficaram todos curiosos para conhecer in loco o que teríamos pela frente na
competição. Nada como um bom simulado para saber.

O novo percurso da Oscar Fashion Running 2009
Enquanto a maioria treinava para a
prova propriamente dita, o sofredor
aqui não. Continua insistindo em querer fazer pelo menos uma maratona bem-feita
na vida. E, sendo assim, não tem como se dar ao luxo de fazer um treino de
reconhecimento de percurso com 5 km apenas. Adaptei o meu tempo run de 12 km previsto na planilha, da seguinte forma: saindo
de casa, trote de aquecimento até o shopping (pouco mais de 2 km) e duas voltas
no trajeto, completando a distância planejada. Faltando uns quinze minutos no
horário marcado para a primeira chamada,
botei o pé na estrada. Saí do meu prédio e passei por trechos da Cidade Jardim,
Cassiopéia e Andrômeda, calçadas cheias de transeuntes, até chegar ao shopping,
devidamente aquecido. Parte dos corredores participantes já se reunia na
entrada do centro comercial.

O Vale Sul Shopping
E foram chegando mais a cada
instante. Da 100 Juízo, os companheiros Zebra, Manoel e Natanael. Michel, Luis
Carlos, Vanderléia e Beto, da Vinac; Gerson e Bruno Narezzi, Rodrigo e seu pai. Toninho, que achou que o treino era na quinta-feira
e quase não vem. E até o Paulo Gallo, que viu o meu “convite” no Twitter (http://www.twitter.com/fabionamiuti) e fez muito bem em
aparecer de surpresa. Só faltou mesmo o Jorge, que teve um compromisso de
última hora e acabou não podendo marcar presença. Quatorze corredores (mais ou
menos) alinhados, pouco mais das sete da noite largamos da portaria principal
do shopping na Andrômeda, rumo ao lado voltado para a Dutra. Manoel, claro,
puxando a fila.
Sem querer ser um Gil, Caê ou afins,
o barato desses treinões coletivos é
a heterogeneidade. Encontram-se lado a lado, como praticamente nunca acontece em provas,
atletas amadores de níveis muito distintos. Ali havia desde gente que faz 10 km
em 33 minutos até quase o dobro disso, com todo o espectro entre os extremos.
Se não era uma fila indiana, estávamos todos mais ou menos próximos pelo menos
neste começo, até porque nem todos tinham expertise em Jardim Satélite e
adjacências. Assim que terminamos a descida (na qual eu aproveitei para tirar onda, passando pelo lado interno
entre postes e alambrado, espaço exíguo no qual eu entalaria literalmente há
sete anos), viramos à direita e entramos na Cidade Jardim, de onde só sairíamos
depois de percorrer boa parte de sua extensão.
O mapa, junto com as indicações do
organizador, mostrava uma mudança de pista logo no primeiro semáforo.
Deveríamos pegar a do lado esquerdo (para quem está no sentido bairro), no
contrafluxo dos veículos. Tanto melhor, ainda mais para um treino noturno e,
obviamente, sem interrupção de trânsito. Ali, quase rola o primeiro equívoco.
Parte do pessoal quis pegar a descida que levaria à pista do Vidoca. “Volta,
volta!” foi o coro uníssono de quem sabia o caminho certo. Seguimos em frente
pela pista, planinha e de asfalto liso.
Nem parecia que quem estava ali era o
corredor que mal se aguentava nas pernas no domingo anterior em Sapucaí Mirim,
em “míseros” quatro quilômetros. Corria bem, solto, sem cair para a rabeira do pelotão, como imaginei que
seria. Ao contrário. Acompanhava de perto a tropa
de elite. É óbvio e ululante que
eles não estavam em seu ritmo habitual, que eu só conseguiria seguir
motorizado. Mas tinha o privilégio de estar ao lado de feras, camaradas que eu
aprendi a admirar pelo talento para o esporte que esbanjam. Sin perder la humildad jamás. Manoel,
Natanael e Zebra são caras que correm forte, com fôlego suficiente para darem verdadeiras palestras simultaneamente. A gente tem mais
é que ouvir e aprender.

A Avenida Cidade Jardim
Depois da maciota, veio o castigo. Acabou o chão estável, veio uma descidinha curta, que eu, morador das
cercanias, conhecia muito bem. E tome rampa! Mas com uma vantagem pra lá de
nítida em relação ao percurso de 2008, até porque começava depois. A subida era
mais suave que a do ano passado que, por sua vez, se transformaria desta feita
em descida. Subi engrenado, diminuindo naturalmente a velocidade, mas sem
transformá-la em calvário, como de
costume. Ela, longa, era dividida em duas partes. A que começa em frente à
escola Martha Abib e vai até a esquina com a Rua Osvaldo Faria. Um pequenino
platô e o recomeço, até... bem, até onde mesmo? Surgiu a dúvida. O Michel, um
pouco abaixo, gritou pra galera virar no primeiro retorno. Mas a mensagem que
eu tinha recebido dizia “até perto da Cassiopéia”. Pelo sim, pelo não, pegamos
a subida até o final, virando só quase na esquina com a outra avenida. Chegamos
praticamente ao meu ponto de partida no aquecimento. E, acreditem, não deu nem vontade
de parar e ir pra casa. Grampo contornado e tomamos a outra pista, correndo pela
parte interna, junto ao meio-fio. Agora era hora
da vingança! Hora de descer. Fosse a prova propriamente dita, de recuperar
o tempo perdido.
E tem gente que não gosta. Ladeira
abaixo é perigoso, sobrecarrega joelhos e outras articulações, requer postura
específica, tênis com bom amortecimento e tudo mais. Mas que é simplesmente
glorioso, mesmo que enganosamente, se sentir corredor “de verdade” nelas, ah,
isso é. Calcanhar no glúteo, passada larga e vento na cara. Ver a paisagem
passar mais rápido. Dura pouco quase sempre, mas é muito bom. Embalado pela
companhia dos coelhos da equipe,
seguia firme. Logo estava no final da descida, pra encarar uma rampinha acima,
mas que quase não deu pra sentir. No cruzamento com a Rua Porto Novo, o bonequinho piscava, mas houve
tempo pra gente passar. Melhor, pra não perder o pique. Na esquina com a Pedro
Turci, também deu pra passar batido, sem parar. Aí era só seguir pelo plano,
passando ao lado dos restaurantes e das quadras de futebol society e, quase
voltando ao shopping, pegar a subida final, a da Rua José Alves dos Santos,
passando em frente à sede da ACM (e sem ter que fazer coreografia da Y.M.C.A., felizmente!!!).

Parte do trajeto – vindo da Cidade Jardim (direita) para
a Andrômeda (esquerda)
Essa subidinha, mesmo mais curta, era
íngreme e, para minha surpresa, quebrou mais o ritmo que a ladeira principal.
Mas eu mesmo não quebrei. Seguindo as dicas do Manoel para tangenciar as
curvas, rapidamente chegamos de volta à Avenida Andrômeda, onde foi só dar um
breve sprint para chegar. O trajeto
oficial, vetado hoje, entrava no estacionamento do shopping e seguia até o
hipermercado atacadista. Mas a distância até a portaria principal era mais ou
menos equivalente. Na disparada,
deixei para trás os colegas e fui o primeiro a chegar. Não significa
absolutamente nada na prática, mas essa sensação efêmera foi um faz-me rir interessante. O tempo de 29’
cravados mostrava que os 5 km tinham um bônus significativo de metros a mais. Todos
foram também chegando e se cumprimentando pelo belo treino. Alguns seguiriam
para uma segunda volta.
Topamos a empreitada eu, Toninho,
Zebra, Manoel, Natanael e Vanderléia. Despedimo-nos dos amigos que fizeram a
primeira metade e seguimos caminho. Era até meio contraditório fazer duas
voltas hoje e uma apenas no domingo, mas, e daí? Eu continuava me divertindo.
Desta vez, diminuindo um pouco a velocidade inicial. Meu parceiro para a segunda
volta seria o de tantos outros treinos por aí: grande Toninho Corredor. Ritmo
confortável o bastante para poder conversar, mas sem deixar o resto da turma
fugir muito na frente.
Na parte plana da Cidade Jardim, um
camarada que não estava na escalação inicial
passou a acompanhar também o treino. Passou pela gente, cumprimentou e iniciou
a subida ao lado do Zebra e da Vanderléia. Agora os corredores puro-sangue mostravam seus reais atributos.
Enquanto a gente mal começava a subir, o Manoel já passou descendo que nem um
foguete. Logo depois veio o Nata, também em ritmo fortíssimo. O que fazer? Só
mesmo bater palmas... e continuar a escalada.
A pedido do camarada Hoffman: a altimetria da segunda volta
A segunda passagem pela ladeira foi
bem mais realista que a primeira.
Subi a passos curtos e lentos, mas cheguei sem problemas ao final dela. Ou
quase, já que dessa vez o conselho do Michel foi seguido. Retorno bem antes de
chegar à Cassiopéia, o que acabaria significando, medidos depois no MapMyRun,
390 metros a menos. Na descida, feita dessa vez pela calçada, sugeri ao Toninho
que tentássemos alcançar a dupla à frente, que tinha uns cinquenta metros de
vantagem. Não era nada fácil, mas ajudados por uma parada forçada na esquina
do posto de combustível, conseguimos. No plano, estávamos os quatro
emparelhados. Na subida da ACM, em frente à praça, o Paulo apareceu de novo,
junto com a dupla de corredores mais rápidos e encerramos a segunda metade
praticamente todos juntos. A parcial da volta era de 27:10 na minha
cronometragem. Com a aceleração na busca pela dupla Zebra e Vanderléia,
acabamos praticamente bisando o pace
médio da primeira parte.

A Praça Wanderley Freire, em frente à ACM
E foi mais ou menos isso: o que deu
para constatar é que as mudanças significaram mais agilidade no percurso.
Tempos do ano passado deverão ser melhorados aos montes. O meu não terá base de
comparação, já que fiz 10 km em 2008 (aos trancos e barrancos, pois tive uma
fisgada na panturrilha que acabou com a corrida). Mas torço para que todos
façam uma excelente prova no domingo. E agradeço aos que me fizeram companhia,
em uma ou duas voltas nesta excelente prévia.
Abraços,
Fábio Namiuti
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